A árvore da violência
Não existem focos de violência, nem pessoas violêntas desgarradas do resto. A violência não é feita de ilhas pontilhando um mar de paz. Essa imagem errónea tem perpetuado a violência enquanto a torna "um assunto dos outros".
A violência entra pelas casas de todos nós, está um pouco por toda a parte e é um assunto de todos. Ninguém lhe está alheio, ninguém pode garantir a si mesmo que não foi ou será um dia vítima dessa realidade "dos outros".
A árvore da violência é uma sociedade cuja seiva contém uma contaminação de violência que podendo afectar mais uns frutos que outros, está ainda assim toda contaminada dos mesmos sinais.
A própria matriz sobre a qual está pousada toda uma civilização, pode arrastar séculos de violência á qual já nem se presta atenção tal é a banalidade. E é dessa banalidade que nascem as ilhas, do facto de ser sequer possível, do facto de parecer mesmo que a violência pode trazer soluções e resposta a problemas.
A árvore da violência porém, não tem de ser para sempre. Não é indispensável á nossa sobrevivência e, na realidade pode dar cabo de nós, daqueles que amamos, do mundo como o conhecemos. Todos podemos ser chamados a actuar, a ser agente activo desta tomada de consciência que se faz dentro.
A violência é falta de amor próprio. E cada um só terá de procurar tomar consciência e alterar o seu mundo pessoal. Essa é a melhor forma de começar qualquer mudança.